はじけるハートの足跡ブログパーツ

[PR]面白ツイート集めました

Mostrando postagens com marcador Auto-estima. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Auto-estima. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de abril de 2012

A lição do jacaré.

A lição do jacaré
Há alguns anos, em um dia quente de verão, uma pequena menina decidiu ir nadar no lago que havia atrás de sua casa. Na pressa de mergulhar na água fresca, foi correndo e deixando para trás os sapatos, as meias e a camisa.Voou para a água, não percebendo que enquanto nadava para o meio do lago, um jacaré estava deixando a margem e entrando na água. Sua mãe, em casa, olhava pela janela enquanto os dois estavam cada vez mais perto um do outro. Com medo absoluto, correu para o lago, gritando para sua filha o mais alto quanto conseguia. Ouvindo sua voz, a pequena se alarmou, em um giro e começou a nadar de volta ao encontro sua mãe. Mas era tarde. Assim que alcançou a mãe, o jacaré também a alcançou. A mãe agarrou a filha pelos braços enquanto o jacaré agarrou seus pés. Começou um cabo-de-guerra incrível entre os dois. O jacaré era muito mais forte do que a mãe, mas a mãe era por demais apaixonada para deixa-la ir. Um fazendeiro que passava por perto, ouviu os gritos, pegou uma arma e disparou no jacaré. De forma impressionante, após semanas no hospital, a pequena menina sobreviveu. Seus pés extremamente machucados pelo ataque do animal, e, em seus braços, os riscos profundos onde as unhas de sua mãe estiveram cravadas no esforço sobre a filha que ela amava.Um repórter de jornal que entrevistou a menina após o trauma, perguntou-lhe se podia mostrar suas cicatrizes. A menina levantou seus pés. E então, com óbvio orgulho, disse ao repórter- Mas olhe em meus braços. Eu tenho grandes cicatrizes em meus braços também. Eu as tenho porque minha mãe não deixou eu ir.Você e eu podemos nos identificar com essa pequena menina. Nós também temos muitas cicatrizes. Não, não a de um jacaré, ou qualquer coisa assim tão dramática. Mas as cicatrizes de um passado doloroso, algumas daquelas cicatrizes são feias e causam-nos profunda dor.Mas, algumas feridas, meu amigo, são porque DEUS se recusou a nos deixar ir. E enquanto você se esforçava, Ele estava lhe segurando.Autor: desconhecido


Aceitação incondicional
Recentemente terminei minha faculdade. O último trabalho que tive que apresentar foi o de sociologia. O professor apresentou um projeto chamado sorriso. Foi solicitado à classe que saísse, sorrisse para três pessoas e documentasse suas reações.Logo depois da aula, eu, meu marido e meu filho mais novo fomos à uma lanchonete. Estávamos na fila esperando nossa vez, quando repentinamente todos à minha volta começaram a se agitar e a se afastar, inclusive meu marido. Eu não me movi um centímetro... Me virei para ver porque tinham se afastado.Foi quando senti o terrível cheiro de corpo sujo e lá estavam dois pobres mendigos. Quando olhei para o que estava mais próximo, ele estava sorrindo. Seus bonitos olhos azuis estavam cheios da luz de Deus e procuravam por simples aceitação.Bom dia - Ele disse timidamente enquanto contava as poucas moedas que tinha.O segundo homem permanecia atrás de seu amigo, agitando os braços. Observei que o segundo homem tinha deficiência mental e o cavalheiro dos olhos azuis era o seu guardião. A garçonete perguntou o que queriam.- Apenas café, senhorita - respondeu, porque era tudo que poderiam comprar com os recursos que tinham.Se quisessem sentar no restaurante para se aquecer, tinham que comprar alguma coisa. E o que queriam mesmo era se aquecer. Então, eu realmente senti uma compulsão tão grande que quase estendi a mão e abracei o homem dos olhos azuis. Foi quando notei que todos os olhos na lanchonete me observavam, julgando cada ação minha. Eu sorri e pedi que a garçonete acrescentasse duas refeições, um pequeno almoço, em bandejas separadas.Fui até onde os homens tinham se sentado e pus as bandejas sobre a mesa e coloquei minha mão sobre a fria mão do homem dos olhos azuis. Ele me olhou emocionado e agradeceu. Inclinando-me um pouco, respondi:- Não sou eu que faço isto por vocês. É Deus que está trabalhando aqui, através de mim, para dar- lhe esperança.Me afastei para juntar-me a meu marido e meu filho. Quando me sentei, meu marido me sorriu e disse:- É por isso que Deus me deu você, querida. Para me dar esperança. Aquele dia me mostrou a pura luz do doce amor de Deus. Retornei à faculdade, para a última aula, com esta história nas mãos. Eu a transformei em meu projeto e o professor o leu. Então olhou para mim e disse:- Posso compartilhar isto?Eu concordei e ele pediu a atenção da classe. Começou a ler e todos nós percebemos que, como seres humanos, temos a necessidade de curar as pessoas e de sermos curados.Ao meu jeito, eu tinha tocado as pessoas naquela lanchonete, em meu marido, em meus filhos, em meu professor, em cada alma daquela sala onde tive a última aula como uma estudante de faculdade. Eu me formei com uma das maiores e mais importantes lições que aprendi: Aceitação incondicional. Amar as pessoas e usar as coisas ao invés de amar as coisas e usar as pessoas. Uma semana maravilhosamente abençoada pra você! E que sejamos nós instrumentos nas mãos do Senhor, para abençoarmos alguém nessa semana! Fiquem em Paz!Autor: Desconhecido

A Vendedora de Doces.




A vendedora de doces

Ângela, estava cansada demais para rebater as acusações da mãe. Ela havia andado o dia inteiro atrás de emprego e como sempre não havia conseguido nada. Sua mãe não parava de falar, onde já se viu uma mulher com 36 anos, desempregada há tanto tempo.... Ela deveria aceitar qualquer coisa.

Sua cabeça parecia que ia explodir á qualquer momento. Queria chorar, mas não tinha sequer lágrimas. Queria fazer uma oração, mas sua fé estava desaparecendo. Sentia que a sua vida estava sem rumo, sem futuro e ela não tinha disposição para mais nada.

Ao contrário da irmã que estudara enfermagem e hoje tinha emprego estável e muito bem remunerado, ela só havia estudado até o antigo Ginasial. Seus empregos eram sempre de ajudante geral com salário mínimo ou pouco mais na carteira.

Solteira e com uma filha de 11 anos para cuidar, se não fosse a casa e os cuidados da mãe, ela nem sabe o que faria da vida. Vida, que vida era aquela? Que fazer? A quem recorrer.

A sua última tentativa havia sido uma igreja que dizia ter a solução para todos os seus problemas. Acabou dando seus últimos recursos em uma promessa de melhora que não veio. Sentiu-se traída por Deus, pelos pastores e por toda a igreja. Dormiu e sonhou com uma pessoa sem rosto. Era uma voz que ela jurava conhecer, mas não conseguia identificar. O lugar era uma praça com muitas árvores, ela estava sentada com essa pessoa em um banco de ripas largas e tudo ali era paz. A pessoa estava dizendo que era hora dela buscar uma solução para sua vida, que os problemas, ela e todo mundo ao redor dela, sabiam quais eram. O caminho estava no trabalho, mas se não conseguia um emprego porque não realizar outras atividades.

Ela fora abençoada por Deus com pernas e braços saudáveis, dispunha de recursos da visão, da fala, da audição e estava desperdiçando tudo isso em reclamações sem fim. Era hora de pensar em soluções e não mais nos problemas.

Acordou mais leve, mas sentia que até no "céu" estavam cansados de suas reclamações. Mas o que fazer... Opa, o que foi mesmo que o homem disse? Para parar de reclamar e buscar soluções.

Foi assim que Ângela foi para a rua naquele dia, buscando soluções. Pediu a Deus que lhe mostrasse um caminho, uma solução.

Caminhou por algumas horas e quando ia atravessar aquela avenida movimentada, um garoto lhe ofereceu bala de goma: - Vai senhora, duas por um real. Tá uma delícia de doce! Ela riu e pegou sua última moeda e comprou o doce pensando na sua fome e na filha.


Enquanto desembrulhava a bala, percebeu que também haviam adultos vendendo a bala e resolveu perguntar para o rapaz que comandava a equipe, sobre aquele negócio. Descobriu que cada caixa de goma custava R$ 4,00 e vendendo duas unidades por R$1,00 o lucro era de R$ 11,00 por caixa.

Era o sinal! Foi para casa, quebrou o cofre da filha, pediu R$ 1,00 para a mãe e com R$ 4,00 comprou a sua primeira caixa de balas de goma. Saiu com a caixa já aberta oferecendo a todos que passavam na rua, entrava nas lojas, nos bancos e oferecia: - Vai balinha moço. Tá uma delícia de Doce. Duas por apenas R$ 1,00.

Duas horas depois, comprava a segunda caixa e no final do dia contabilizava a venda de 3 caixas e meia. Quase R$ 40,00 de lucro!!! E assim ganhou coragem e foi avançando pelas ruas. Andando com um sorriso e conquisitando a todos.

Em dois meses já tinha até freguesia fixa e aumentara as opções de doces e até alguns salgados. Seu faturamento pulou para acima de R$ 80,00 por dia.

Um ano e meio apenas nos separa daquele dia de choro e dor, um ano e meio de trabalho e Ângela, inaugura hoje o seu "mini atacado de doces", a loja batizada com o estranho nome de "O homem do banco", já tem fila na porta, são os vendedores e vendedoras ambulantes da Ângela que também
apostam em mudanças.

Que bom que você também acredita em sonhos. Vamos realizá-los? Para você que acredita que os problemas são oportunidades e chamados da vida.

Autor: desconhecido

segunda-feira, 28 de março de 2011

Celeiros




Sejamos como os pássaros, Felizes, amigos,

companheiros, devemos cada manhã agradecer

a DeusPelo bem recebido do Senhor. Olhai os

pássaros do céu: não semeiam, não colhem,

nem guardam em celeiros. No entanto, o vosso

Pai celeste os alimenta.

Escolha



A cura é uma escolha. Não é um escolha fácil,

porque fazer grandes alterações em nossos

hábitos requer trabalho, mas se continuarmos a

fazer essa escolha, as mudanças acontecerão.

Hoje, conecte-se com sua intençãode se curar.

Quanto mais você escolher atividades e pessoas

que apóiem você seguir em frente,mais forte

essa parte de você tornará.

* Yehuda Berg *

domingo, 27 de março de 2011

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O MAIOR VENDEDOR DE SONHOS DA HISTÓRIA


O MAIOR VENDEDOR DE SONHOS DA HISTÓRIA.
“Pequenos momentos que mudam uma história”Pequenos detalhes muda uma vida. Um marido deu um beijo na esposa e disse que ela estava linda.Havia tempos não fazia isso.Ele a tinha ferido sem perceber.Seu pequeno gesto reeditou uma janela da memória da esposa onde havia uma mágoa oculta.A alegria voltou.A vida inteira precisamos de graça e gentileza (Plantão, 1985).Um pai elogio o filho. O elogio partiu do coração do pai e penetrou nos becos da emoção do filho, oxigenando a relação que havia tempos estava desgastada. Um beijo, um elogio, um abraço desferido no golpe de um segundo são capazes de superar uma dor alojada há semanas, meses ou anos.Os que desprezam os pequenos acontecimentos nunca farão grandes descobertas. Pequenos momentos mudam grandes rotas. Foi isso que aconteceu a muitos séculos na vida de alguns jovens que moravam na beira da praia de um país explorado e castigado pela fome. Pequenos momentos mudaram a maneira de pensar a existência. O mundo nunca mais foi o mesmo.“A personalidade construída sobre o crepitar das ondas”O vento roçava a superfície do mar, que levantava o espelho d”água, ondas espumavam diariamente e se debruçavam orgulhosamente na orla das praias.Alguns meninos cresceram correndo pela areia. Pegavam as bolhas que se formavam no estalido das ondas. Elas brilhavam nas palmas das mãos, mas logo se despediam, dissolviam e vazavam entre seus dedos, como se dissessem: “Eu pertenço ao mar”. Erguendo o semblante para o mar, os meninos diziam secretamente: “Nós também lhe pertencemos”.Assim era a vida desses jovens. Seus avôs tinha sido pescadores, seus pais foram pescadores e eles eram pescadores e morreriam pescadores. A história estava cristalizada. Os seus sonhos? Ondas e peixes.Sonhavam com os cardumes. Entretanto, os peixes escassearam. A vida era árdua. Puxar as pesadas redes do mar era extenuante. Suportar as rajadas do vento frio e ondas rebeldes todas as noites não era para qualquer um. E o pior, o resultado os frustrava. Cabisbaixos, reconheciam o fracasso. O mar tão grande se torna uma piscina de decepções. Todos os dias enfrentavam a mesma rotina e os mesmos obstáculos. Queriam mudar a vida. Mas faltava-lhes coragem. O medo do desconhecido os bloqueava. Era melhor ter muito pouco do que correr o risco de não ter nada, pensavam.Na mente desses jovens não devia passar inquietação sobre os mistérios da vida. A falta de cultura e a labuta pela sobrevivência não os estimulava a grandes vôos intelectuais. Viver para eles era fenômeno comum e não uma aventura indecifrável.Nada parecia mudar-lhes o destino que surgiu no caminho deles o maior vendedor de sonhos de todos os tempos. “Um convite perturbador”Naquelas bandas algo novo quebrou a mesmice. Havia um homem que morara por 30 anos num deserto. Seus discursos eram estranhos, seus gestos, bizarros. Parecia delirar em seu modo estranho de viver.Estava perturbado com a idéia fixa de que era o precursor do homem importante que jamais pisaria na terra.Seu nome era João, cognominado de Batista. O que parecia estranho é que ele não convivera com a pessoa que anunciava, mas ela havia ocupado o seu imaginário. Ele fazia discurso eloqüente ás margens de um rio, descrevendo aquele homem com a precisão de um cirurgião.Multidões se aproximavam para ver o espetáculo das suas idéias. Ele teve coragem de disser que o homem que guardava era tão grande que ele mesmo não era digno de desatar-lhe as correias das sandálias. As pessoas ficavam perplexas com essas palavras.Como podia um rebelde aos padrões sociais, que não tinha papas na língua, que não tinha medo de dizer o que pensava elevar tão alto alguém que não conhecia? Que homem seria esse que João anunciava em seus discursos?Esses discursos desenhavam no anfiteatro da mente dos ouvi entes os mais diferentes quadros. Alguns achavam que o homem que anunciado apareceria como um rei, com vestes talares. Outros imaginavam que ele apareceria como um general acompanhado por grande escolta Outros ainda pensavam que ele era uma pessoa riquíssima que viria numa elegante carruagem, com uma equipe inumerável de serviçais.Todos os aguardavam ansiosamenteApesar da diversidade das fantasias, a maioria concordava que o encontro com ele seria solene. Todos esperavam um discurso arrebatador. De repente, no calor do entardecer, quando os olhos confundiam as imagens no horizonte, surgiu discretamente um homem simples, de origem pobre. Ninguém o notou.Suas vestes eram surradas, sem nenhum requinte. Sua pele era desidratada, seca e sulcada, resultado árduo e da longa exposição ao sol. Não tinha escolta, não tinha carruagem, não tinha serviçais.Procurava passagem no meio da multidão. Tocava as pessoas com suavidade, pedia licença e pouco a pouco conseguia seu espaço. Alguns não gostaram, outros ficaram indiferentes à sua atitude.Subitamente os olhares se cruzaram. João contemplou o homem dos seus sonhos. Foi arrebatado pela imagem. A imagem da fantasia das pessoas não coincidia com a imagem real. João via o que ninguém enxergava e, para espanto da multidão, exaltou sobremaneira aquele simples homem.As pessoas ficaram confusas e decepcionadas. Se a imagem as chocou, esperavam pelo menos que seus ouvidos se deliciassem com o mais excelente discurso. Afinal de contas, a fome e os transtornos sociais eram enormes. Eles precisavam de alento.Porem o homem dos sonhos de João entrou mudo e saiu calado. O sonho da multidão se dissipou como as gotas d”água agredidas pelo sol do Saara. Desiludidas, as pessoas se dispersaram. Mergulharam novamente na sua entediante rotina.Alguns jovens ouviram falar dos sonhos de João. Mas estavam ocupados demais coma a própria sobrevivência. Nada os animava, a não ser ouvir o grito do corpo suplicando por pão para saciar o instinto. O mar era seu mundo.Não havia nada diferente no ar. De repente, dois irmãos erguem os olhos e viram pessoa diferente caminhando pela praia. Não se importaram. Os passos desconhecido eram lentos e firmes. O viandante se aproximou. Os passos silenciaram. Seus olhos focalizaram os jovens. Incomodados, eles se entreolharam. Então, o estranho estilhaçou o silencio. Ergueu a voz e lhes fez a proposta mais absurda do mundo:“Vinde após mim que eu e vos farei pescadores de homens”.Nunca tinha ouvido tais palavras. Elas perturbaram seus paradigmas. Mexeram com os segredos de suas almas. Ecoaram num lugar que os psiquiatras não conseguem perscrutarPenetraram no espírito humano e geraram um questionamento sobre o significado da vida sobre o valor da luta.Todos deveriam em algum momento de existência questionar nossas vidas e analisar pelo que estamos lutando. Quem não consegue fazer este questionamento será servo do sistema, vivera para trabalhar, cumprir obrigações profissionais e apenas sobreviver. Por fim, sucumbira no vazio.Os nomes dos irmãos que ouviram esse convite eram Pedro e André. A rotina do mar havia afogado os seus sonhos. O mundo deles tinha poucas léguas. Mas apareceu-lhes um vendedor de sonhos que lhes incendiou o espírito. Com uma sentença, ele os estimulou a trabalharem para a humanidade, a enfrentarem o oceano imprevisível da sociedade.Jesus Cristo não havia feito nenhum ato sobrenatural, no entanto sua voz tinha o maior de todos os magnetismos, porque vendia sonhos. Vender sonhos é uma expressão poética que fala de algo invendável. Ele distribuía um bem que o dinheiro jamais pode comprar. O Mestre dos mestres assombra os fundamentos da psicologia.“Quem se arriscaria a segui-lo”?Pense um pouco. Porque seguir esse homem? Quais são as credencias daquele que fez a proposta? Que implicações sociais e emocionais ele teria? O vendedor de sonhos era um estranho para os dois irmãos. Não tinha nada de palpável para oferecer a esses jovens.Você aceitaria tal oferta? Largaria tudo para entregar sua vida em prol da humanidade? Jesus não prometeu estradas sem acidentes, noites sem tempestades, sucessos sem perdas. Mas prometeu força na terra do medo, alegria nas lagrimas, afeto no desespero.Parecia loucura segui-lo. Teria de explicar para os amigos e parentes sua atitude. Mas como explicar o inexplicável? Pedro e André foram atraídos pelo vendedor de sonhos, mas não entendia as conseqüências de seus atos. Só sabiam que qualquer barco, ainda que fosse o maior dos navios, era pequeno demais para conter seus sonhos.Pouco depois, o Mestre da vida encontrou dois irmãos mais novos e inexperientes. Eram Tiago e João. Eles estavam à beira da praia consertando as redes. Ao seu lado se encontravam seu pai e os empregados. O Mestre se aproximou deles, fitou-os e fez o mesmo e intrigante convite.Não os persuadiu, não ameaçou nem pressionou apenas os convidou. Foram cinco segundos que mudaram suas vidas. Foram cinco segundos que abriram as janelas da memória que continham anos de anseio pela liberdade e pelo libertador da nação oprimida.Zebedeu, o pai, ficou pasmo com a atitude dos filhos. Escorriam lagrimas no seu rosto e duvidas na sua lama. Ele tinha barcos. Era um negociante. Sua esposa era uma mulher de fibra. Queria que seus filhos fossem prósperos no território da Galileia. Mas veio alguém e lhes ofereceu o mundo, chamou-os para trabalhar no coração humano.Deixaram-se convencer de que ele era o Messias era uma tarefa árdua. Ele não podia ser tão comum, despojado, sem pompa e comitiva. Os empregados, chocados, perderam o fôlego.O pai vendo a ousadia dos filhos e observando seus olhos brilhando como perolas em busca dos mais excelentes sonhos, os abençoou. Talvez tenha pensado: “Os jovens são rápidos para decidir e rápidos para retornar; logo voltaram para o mar”.“A vida é um contrato de risco”Basta estar vivo para correr riscos. Riscos de fracassar, ser rejeitado, frustrar consigo mesmo, decepcionar-se com os outros, ser incompreendido, ofendido, reprovado, adoecer. Não devemos correr riscos irresponsáveis, mas também não devemos temer andar por terrenos desconhecidos, respirar ares nunca antes aspirados.Viver é uma grande aventura. Quem ficar preso num casulo com medo dos acidentes da vida, além de não alimentá-los, será sempre frustrado. Quem não tem audácia e disciplina pode alimentar grandes sonhos, mas eles serão enterrados nos solos da sua timidez e nos destroços das suas preocupações. Estará sempre em desvantagem competitiva. O jovem Galileu foi corajoso ao atender ao convite de Jesus Cristo. Tinham muitos defeitos em sua personalidade, mas começaram a ver o mundo de outra maneira. Abriram o leque da inteligência.Não sabiam onde dormiriam nem o que comeriam, só sabiam que o vendedor de sonhos indicava que queria mudar o pensamento do mundo. Não sabiam como ele realizaria seu projeto, mas não queria ficar longe desse sonho. Porém quem foi audacioso: os discípulos ao seguir Jesus ou Jesus ao escolher-lhos? O material humano é vital para o sucesso de um empreendimento. Uma empresa pode ter máquinas, tecnologia, computadores, mas, se não tiver criativos, inteligentes, motivados, que sabiam prevenir erros, trabalhar em equipe e pensar a longo prazo, ela pode sucumbir.Vejamos o material humano que o vendedor de sonhos escolheu e quais os riscos que Ele correu. Farei somente uma síntese das características de personalidade de alguns discípulos.
Todo o texto (sem rasuras) foi escrito do livro: NUNCA DESISTA DE SEUS SONHOS.De autoria do Doutor e médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor: AUGUSTO CURY. No qual, a leitura do livro, mês fez enxergar os sonhos que eu enterrei, mas com a ajuda do Mestre dos mestres, será todos concretizados em Nome do meu Salvador Jesus Cristo, para a Honra e Glória D”Ele mesmo. E será para vocês que irão ler estes escritos, uma ajuda para vocês não desistirem de seus sonhos, persistam, corra atrás.Forte abraço.Deus abençoe!

(AUGUSTO CURY FALA SOBRE OS CINCO DISCIPULOS DE JESUS)

“O time escolhido pelo Mestre dos mestres”







“O time escolhido pelo Mestre dos mestres”Mateus tinha péssima reputação. Era um publica no, coletor de impostos. Na época, os coletores eram famosos pela corrupção. Os judeus os odiavam porque eles estavam servindo do Império Romano, que os explorava. Mateus era uma pessoa sociável, gostava de festas e provavelmente usava dinheiro público para promovê-las.Tomé tinha a paranóia da insegurança. Só conseguia acreditar naquilo que tocava. Era rápido para pensar e rápido para desacreditar. Andava seguindo a lógica, faltava-lhe sensibilidade e imaginação. O mundo tinha que girar em torno de suas verdades, impressões e crenças. Desconfiava de tudo e de todos.Pedro era o mais forte, determinado e sincero do grupo. Porém, era inculto, iletrado, intolerante, irritado, agressivo, inquieto, impaciente, indisciplinado, não suportava ser contrariado. Não era empreendedor, e, como muito jovem não planejava o futuro, vivia somente em função dos prazeres do presente.Suas desqualificações não paravam por ai. Era hiperativo e intensamente ansioso. Impunha, e não expunha suas idéias. Trabalhava mal suas frustrações. Repetia os mesmos erros com freqüência. Se vivesse nos tempos de hoje, seria um aluno que todo professor quereria ver em qualquer lugar do mundo, menos em sua sala de aula. Mas ele foi um dos escolhidos. Você teria coragem de escolhê-lo?No momento em que seu Mestre foi preso, o clima era tenso e destituído de racionalidade. Havia uma escolta de cerca de trezentos soldados no local. Impulsivo, Pedro cortou a orelha de um soldado. A sua reação quase provoca uma chacina. Todos os discípulos correram risco de morrer por sua atitude impensada.
João era o mais jovem, amável, prestativo e altruísta. Porém, também era ambicioso, irritado, intolerante, intempestivo. Não sabia colocar-se no lugar dos outros nem pensar antes de reagir. Não sabia proteger sua emoção nem filtrar os estímulos estressantes.Almejava a melhor posição entre os discípulos. Pensava que o Reino de Jesus era político, e por isso, após uma reunião familiar, sua mãe suplicou ao Mestre, no auge da fama, que quando instalasse seu governo um de seus filhos se assentasse à sua direita e o outro à esquerda. Os cargos inferiores pertenceriam aos outros. A personalidade de João tinha paradoxos. Era simples e explosiva, amável e flutuante. Jesus chamou a ele e a seu irmão Tiago de Boanerges, que quer dizer “filho do trovão”. Quando confrontados, reagiam agressivamente. Apesar de ter ouvido incansavelmente o discurso de Jesus Cristo sobre dar a outra face, amar os inimigos, perdoar tantas vezes quantas fossem necessárias, João teve a coragem de pedir ao próprio Jesus que assassinasse com fogo os que não seguiam com Ele.Judas Iscariotes era moderado, dosado, discreto, equilibrado e sensato. Não há elementos que indiquem que se tratava de uma pessoa tensa, ansiosa e inquieta. Nunca tomou uma atitude agressiva ou impensada. Jamais foi repreendido por seu Mestre.Sabia lidar com contabilidade, e por isso cuidava do dinheiro do grupo. Era um zelote, pertencia a um grupo social de refinada cultura.
Provavelmente era o mais eloqüente e o mais polido dos discípulos. Mostrava preocupado com as causas sociais. Agia silenciosamente.“Os discípulos diante de uma equipe de psicólogos”Se uma equipe de psicólogos especialista em avaliação da personalidade e desempenho intelectual analisasse a personalidade d o time escolhido pelo Mestre dos mestres, provavelmente todos seriam desaprovados, exceto Judas.Judas era o mais bem preparado dos discípulos. Tinha as melhores características de personalidade, exceto uma: não era uma pessoa transparente. Ninguém sabia o que se passava dentro dele. Essa característica corroeu sua personalidade como traça. Levou-o a ser infiel a si mesmo, a perder a capacidade de aprender.Tinha tudo para brilhar, mas aprisionou-se no calabouço dos seus conflitos. Antes de trair Jesus, traiu a si mesmo. Traiu a sua consciência, seu amor pela vida, seu encanto pela existência. Isolou-se, tornou-se autopunitivo. O maior vendedor de sonhos de todos os tempos, contrariando a lógica, escolheu uma equipe de jovens completamente despreparados para a vida e para executar um grande projeto. Os discípulos correram risco ao segui-lo, mas Ele correu riscos incomparavelmente maiores ao escolhê-los.Ele tinha pouco mais de três anos para ensinar-lhes. Era um tempo curtíssimo para transformá-los no maior grupo de pensadores e empreendedores desta terra. Almejava lapidar a sabedoria na personalidade rude e complicada deles e torná-los capazes de incendiarem o mundo com suas idéias, e desse modo mudar para sempre a historia da humanidade.
A escolha de Jesus não foi baseada no que aqueles jovens possuíam, mas no que ele era. A autoconfiança e ousadia de Jesus não têm precedentes. Ele preferiu começar do zero, trabalhar com jovens completamente desqualificados a trabalhar com fariseus saturados de vícios e preconceitos. Preferiu a pedra bruta à mal lapidada.“Os sonhos que contagiavam o inconsciente”A vida sem sonhos é como um céu sem estrelas. Alguns sonham em ter filhos, em rolar no tapete com eles, em se tornarem seus grandes amigos. Outros sonham em ser cientista, em explorar o desconhecido e descobrir os mistérios do mundo. Outros sonham em ser socialmente úteis, em aliviar a dor das pessoas.Alguns sonham com uma excelente profissão, em ter grande futuro, em possuir uma casa na praia. Outros sonham em viajar pelo mundo, conhecer novos povos, novas culturas, e se aventurar pro ares nunca antes desvendados. Sem sonhos, à vida é como uma manhã sem orvalho, seca e árida.O Mestre dos mestres andava aos brados pelas cidades, vielas e na beira das praias, discursando pelos mais belos sonhos. Seus discursos eram contagiantes. Seus ouvintes ficavam eletrizados. Seus sonhos mexiam com os desejos fundamentais do ser humano de todas as eras. Eles tocavam o inconsciente coletivo e trazia dignidade à existência, tão breve, tão bela, mas tão sinuosa. Quais foram os principais sonhos que abriram as janelas da inteligência dos discípulos e irrigaram suas vidas com uma meta superior?
“Vendia o sonho de um Reino Justo”As pessoas que ouviam ficavam perplexas. Elas deviam se perguntar: “Quem é esse homem? Que Reino justo é esse que Ele proclama? Conhecemos os reinos terrenos que nos exploram e nos discriminam, mas nunca ouvimos falar de um Reino dos Céus”.Ele proclamava com ousadia: “Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus”. A palavra “arrepender” usada por Jesus explorava uma importante função da inteligência. Ela não significava culpa, autopunição ou lamentação. No grego ela significa uma mudança de rota, revisão de vida. Queria que as pessoas repensassem seus caminhos, revisassem seus conceitos, retirassem o gesso de suas mentes. Os que são incapazes de se repensar serão sempre vitimas e não autores de uma historiam. O Mestre dos mestres discursava sobre um Reino que estava além dos limites tempo-espaço. Um Reino onde habita a Justiça, onde não havia classes sociais, não existi discriminação. Uma esfera onde a paz envolveria o território da emoção e as angustias e aflições humanas não seriam sequer recordadas. Não era este um grandioso sonho?Os tempos de Jesus eram uma época de terror. Tibério Cesar, o imperador romano, dominava o mundo com mão de ferro. Para financiar a pesada maquina administrativa de Roma, pesados impostos eram cobrados. A fome fazia parte do cotidiano. Não se podia questionar. Todo motim era debelado com massacres. O momento político recomendava discriminação e silencio. Mas nada calava a voz do mais vendedor de sonhos.
“Vendia o sonho da liberdade”Sem liberdade o ser humano se deprime, se asfixia, perde o sentido existencial. Sem liberdade, ou ele se destrói ou destroem os outros. Por isso o sistema carcerário não funciona. A prisão exterior mutila o ser humano, não transforma a personalidade de um criminoso, não expande sua inteligência, não reedita as áreas do seu inconsciente que financiam o crime. Apenas imprime dor emocional. Eles precisam ser reeducados, conscientizados, tratados. Jesus falava sobre a falta de liberdade interior, que é mais grave e sutil que a exterior. Vivemos em sociedades democráticas, falamos tanto de liberdade, mas freqüentemente ela está longe do território da psique. Existem diversas formas de restrição à liberdade. As preocupações existências, os pensamentos antecipatórios, a ditadura da estética do corpo e a exploração emocional das propagandas são algumas delas. Gostaria de destacar a fabrica de ícones construído pela mídia. Os jovens não têm seus pais, professores e os demais profissionais que lutam para vencer profissionalmente como seus modelos de vida.Seus modelos são mágicos: atores, esportistas, cantores que fazem sucesso do dia para a noite. Esse modelo mágico não tem alicerces, não dá subsídios para suportar dificuldades e enfrentar desafios. Cria uma grande maioria gravitando em torno de uma minoria. Para a psicologia, a supervalorização é tão aviltante quanto a discriminação.
Jesus discorria sobre uma liberdade poética. A liberdade de escolha, de construir caminhos, de seguir a própria consciência. Discursava sobre o gerenciamento dos pensamentos, a administração da emoção, o exercício da humanidade, a capacidade de perdoar, a sabedoria de expor e não impor as idéias, a experiência plena do amor pelo ser humano e por Deus.O Mestre da Vida vivia o que discursava. Não impedia as pessoas de abandoná-lo, de traí-lo e nem mesmo de negá-lo. Nunca houve alguém tão desprendido e que exercitasse de tal forma a liberdade.“Vendia o sonho da Eternidade”Onde está Napoleão Bonaparte, Hitler, Stalin? Todos pareciam tão fortes, cada um a seu modo, uns na força física, outros na loucura. Mas por fim todos sucumbiram ao caos da morte. Os anos passaram e eles se despediram do breve parêntese do tempo.Viver é um evento inexplicável. Mesmo quando sofremos nos angustiamos e perdemos a esperança, somos complexos e indecifráveis. Não apenas a alegria e a sabedoria, mas também a dor e a insensatez revelam a complexidade da psique humana. Diariamente imprimimos no córtex cerebral, através da ação psicodinâmica do fenômeno RAM, milhares de experiências psíquicas. São milhões de experiências anuais que tecem a colcha de retalhos da nossa personalidade.Quem pode esquadrinhar os fenômenos que nos transformam em “homo intelligens”? Quem pode decifrar os segredos que financiam as crises de ansiedade e as primaveras dos prazeres? Quando viajo com minhas filhas à noite e vejo ao longe as casas nas fazendas com uma luz acesa, eu pergunto a elas: “Quem serão as pessoas que moram naquela casa? Quais são seus sonhos e a sua alegria mais importantes? Quais foram as lágrimas que elas nunca choraram?
Desejo humanizar minhas filhas, levá-las a compreender que cada se humano possui uma história fascinante, independentemente dos seus erros, acertos, vitórias e derrotas. Almejo que elas respeitem a vida e percebam a complexidade da personalidade. Todavia, um dia essa personalidade experimenta o côas. A magnífica vida que possuímos vai para a solidão de um túmulo. Despreparada, enfrenta o seu maior evento, o seu capítulo final. Todo o dinheiro, fama, status, labutas não acrescentam um minuto à existência. O fim da vida sempre perturbou o ser humano, dos primários aos intelectuais. Todos os heróis se tornam frágeis crianças no término da vida.A medicina luta desesperadamente para prolongar a vida e dar qualidade a ela. As religiões têm a mesma aspiração. Elas discorrem sobre o alívio da dor e a superação da morte. Sem dúvida a continuidade consciente e livre da existência é a maior de todos os sonhos. Do ponto de vista científico, nada é tão drástico para a memória e para o mundo das idéias quanto o esfacelamento cerebral. A memória se desorganiza, bilhões de informações se perdem, os pensamentos se descolam da realidade, a consciência mergulha no vácuo da inconsciência. O tudo e o nada se tornam a mesma coisa.Jesus vendia, com todas as letras, o sonho da eternidade. Ele tinha plena consciência das conseqüências filosóficas, psicológicas e biológicas da morte.
Mas, com segurança inigualável, discorria sobre sua superação. Para perplexidade da medicina, Ele dizia ousadamente que pisava na terra para trazer esperança ao mortal. A morte não destruiria a colcha de retalhos da memória. O ser humano sobreviveria e resgataria sua identidade. Retomaria a sua consciência. Pais abraçariam seus filhos depois que fechassem os olhos. Amigos se reencontrariam depois de longa despedida. Nunca alguém foi tão longe em seus sonhos. Os seus discursos arrebatavam multidões.VENDIA O SONHO DA FELICIDADE INESGOTÁVEL.É impossível exigir estabilidade plena da energia psíquica, pois ela se organiza, se desorganiza (caos) e se reorganiza continuamente. Não existe pessoa calma, alegre, serena sempre. Nem mesmo existem pessoas ansiosas, irritadas e incoerentes permanentemente. Ninguém é emocionalmente estático, a não ser que esteja morto.Devemos reagir e nos comportar sob determinado padrão para não sermos instáveis, mas este padrão sempre refletirá uma emoção flutuante. A pessoa mais tranqüila perderá sua paciência. A pessoa mais ansiosa terá momentos de calma. Só os computadores são rigorosamente estáveis. Por isso que eles são lógicos, programáveis e, portanto, de baixa complexidade. Nós, ao contrário, somos tão complexos que nossa disposição, humor, interesse mudam com freqüência. Devemos estar preparados para enfrentar os problemas internos e externos. Devemos ter consciência de que os problemas nunca vão desaparecer nesta sinuosa e bela existência. Podemos evitar alguns, outros, porém, são imprevisíveis. Mas os problemas existem para serem resolvidos e não para nós controlar. Infelizmente, muitos são controlados por eles. A melhor maneira de ter dignidade diante das dificuldades e sofrimentos existenciais é extrair lições deles. Caso contraria, o sofrimento é inútil.
Ser feliz, do ponto de vista da psicologia, não é ter uma vida perfeita, mas saber extrair sabedoria dos erros, alegria da dor, força das decepções, coragem dos fracassos. Ser feliz, nesse sentido, é o requisito básico para a saúde física e intelectual. O maior vendedor de sonhos certa vez chorou seus ouvintes. Ele estava numa grande festa. O clima, entretanto, era de terror. Ele corria risco iminente de ser preso e morto. Seus discípulos esperavam que dessa vez Ele fosse discreto, passasse despercebido. Mais uma vez os deixou perplexos. Subitamente, Ele se levantou e com voz altissonante disse: “Quem tem sede venha a Mim e beba...” Ele discorreu sobre a angústia existencial que cada fundo em todo ser humano, dos ricos aos miseráveis, e vendeu o sonho do prazer pleno, do mais alto sentido da vida. Ele bradou a todos os ouvidos que quem tivesse sede emocional bebesse da Sua Felicidade, quem fosse ansioso bebesse da sua Paz. Jamais alguém fez esse convite em toda a história. Nunca alguém foi tão feliz na terra de infelizes. A morte o rondava, mas Ele homenageava a vida. O medo o cercava, mas Ele bebia da fonte da tranqüilidade. Que homem é esse que discursa sobre o prazer na terra do horror? Que homem é esse que revelava uma paixão pela vida quando o mundo desabava sobre Ele? Sem dúvida, Ele é o maior vendedor de sonhos de todos os tempos!
TRABALHANDO NA PERSONALIDADE ATÉ O ÚLTIMO MINUTO.O Mestre dos mestres tinha de revolucionar a personalidade do seu pequeno grupo para que os discípulos revolucionassem o mundo. Seria a maior revolução de todos os tempos. Mas essa revolução não poderia ser feita com uso de armas, força, chantagem, pressões, pois essas ferramentas, sempre usadas na história, não conquistam o inconsciente. Elas geram servos, e não pessoas livres.Parecia loucura o projeto de Jesus. Era quase impossível atuar nos bastidores da mente dos discípulos e transformaram as matrizes conscientes e inconscientes da memória para tecer novas características de personalidade neles.Não sabemos onde estão as janelas doentias da nossa personalidade. Para termos uma idéia, a área equivalente à cabeça de um alfinete contém milhares de janelas com milhões de informações no córtex celebro. Como encontrá-los? Como transformá-los? O processo e tão complicado que um tratamento psíquico demora semanas, meses, e em alguns casos anos, para se ter um sucesso.Deletar a memória é uma tarefa fácil nos computadores. No homem ela é impossível. Todas as misérias, conflitos e traumas emocionais que estão arquivados não podem ser destruídos, a não ser que haja um trauma cerebral. A única possibilidade, como vimos, é sobrepor novas experiências no lócus das antigas – o que chamamos de reedição – ou então construir janelas paralelas que se abrem simultaneamente às doentias.Se você tiver uma janela paralela que contém segurança, ousadia, determinação e que se abre simultaneamente às janelas do medo, do pânico, da ansiedade, você terá subsídios para superar sua crise. Se não possui essas janelas, terá grande chance de se tornar uma vitima.
Mas como reeditar a memória dos discípulos ou construir janelas paralelas em tão pouco tempo? Sinceramente, era uma tarefa quase impossível. Se fosse viável transportar os mais ilustres psiquiatras e psicólogos clínicos através de uma maquina do tempo para tratar dos discípulos de Jesus com sete sessões por semana, mesmo assim os resultados seriam pobres. Por quê? Porque eles não tinham consciência dos seus problemas. O Grande desafio para o sucesso do tratamento psicológico não é a dimensão de uma doença, mas a consciência que o paciente tem da doença e a capacidade de intervenção na sua dinâmica.Há poucos dias atendi um paciente que sofre de síndrome do pânico há dez anos. Tomou muitos tipos de antidepressivos e tranqüilizantes, mas os ataques permaneceram. Depois de conhecer a sua historia, expliquei-lhe o mecanismo dos ataques de pânico. Comentei da abertura das janelas da memória em frações de segundos, o volume de tensão decorrente dessa abertura e o encarceramento do “eu”.Disse-lhe que o “eu” deveria sair da platéia, entrar no palco da mente no momento do ataque de pânico (foco de tensão), desafiar sua crise, gerenciar os pensamentos, criticar a postura submissa da emoção e se tornar o diretor do roteiro da sua vida.Esse processo e um treinamento. Quem o realiza seu inconsciente e constrói janelas paralelas. Tem grande possibilidade de ficar livre dos medicamentos e do seu psiquiatra ou psicólogo. Sempre em treino psicólogos, enfatizo que eles devem nutrir o “eu” dos pacientes para que eles deixem de serem espectadores passivos das próprias misérias. Os pacientes têm o direito de conhecer o funcionamento básico da mente, os papeis da memória, a construções das cadeias de pensamentos, para serem lideres de si mesmos.Por que é tão difícil mudar a personalidade? Porque ela é tecida por milhares de arquivos complexos e contem bilhões de informações e experiências. Não possuímos ferramentas para mudar magicamente esses arquivos que se inter-relacionam multifocal mente. Quem muda as janelas do medo, da impulsividade, da timidez, do humor triste, rapidamente? Na medicina biológica alguns tratamentos são rápidos; na medicina psicológica é necessário reescrever os capítulos da historia arquivados na memória.Os discípulos tinham milhares ou talvez milhões de janelas doentias. Eles frustraram seu Mestre continuamente durante mais ou menos três anos. Jesus pacientemente os treinava.Os Mestres dos mestres demonstrava que detinha o mais elevado conhecimento de psicologia. Conhecia o processo de transformação da personalidade. Nunca fez um milagre na personalidade humana, pois sabia que ela é um campo de reedição difícil de ser operacionalizado.Ele criou conscientemente ambientes pedagógicos nas praias, nos montes, nas sinagogas, para produzir ricas experiências que pudessem se sobrepor as zonas doentias dos discípulos. Creio que Ele realizou o maior treinamento para transformação da personalidade de todos os tempos. Ao analisar a personalidade de Jesus Cristo sob o olhar da ciência, fiquei assombrado. Tive a convicção de que a ciência foi tímida e omissa por nunca ter investigado a sua inteligência. Por isso Ele foi banido das universidades, excluído da formação dos psicólogos, educadores, sociólogos, psiquiatras.


Foi um prejuízo enorme. As sociedades ocidentais tornaram-se cristas somente no nome.
Jesus Cristo programou, como um micro cirurgião que disseca pequenos vasos e nervos, situações e ambientes para treinar e transformar os discípulos. Cada parábola, cada gesto diante dos marginalizados que o procuravam e cada atitude perante uma situação de perseguição era laborada onde se realizava esse treinamento.Ele provou que qualquer época da vida pode mudar os pilares centrais que estruturam a nossa personalidade. Seu objetivo era expor espontaneamente as mazelas do inconsciente. As fragilidades apareciam, as ambições afloravam, a arrogância vinha a tona, a insensatez surgia. Seus laboratórios aceleravam o processo de tratamento psiquiátrico e psicoterapêutico. Depois de anos de analise detalhada é que fui entender o processo usado pelo Mestre dos mestres.Todos os seus comportamentos tinham um alvo imperceptível aos olhos. Quando era gentil com uma prostituta, Ele tratava o preconceito dos discípulos. Quando era ousado em situações de risco, Ele tratava a insegurança deles. RECONSTRUINDO O SER HUMANOVamos analisar uma das mais belas passagens de sua vida. Horas antes de ser preso, Ele teve na ultima ceia um conjunto de atitudes capazes de deixar perplexa a psiquiatria e a psicologia. A ultima ceia é mundialmente famosa, mas pouquíssimo conhecida sob o ângulo cientifico.
Como estava para morrer, Ele teria que ensinar rapidamente as mais belas lições de inteligência, como a arte da solidariedade, a capacidade de se colocar no lugar do outro, o respeito pela vida. Teoricamente, precisa de anos para realizar essa tarefa pedagógica. Então, sem dizer qualquer palavra, o Mestre pegou uma bacia de água e uma toalha e começou a lavar os pés daqueles discípulos que lhe deram tanta dor de cabeça. É simplesmente inacreditável sua atitude. Jesus estava no auge da fama. Multidões queriam vê-lo. Os discípulos colocaram num patamar infinitamente mais alto do que do imperador Tibério César que governava Roma. De repente, Ele abdica da mais alta posição, se prostra diante dos jovem Galileu e começa a extirpar a sujeira dos seus pés. Eles ficaram paralisados, chocados, estarrecidos. Eles se entreolhavam com um nó na garganta. Não sabiam o que dizer.Enquanto as gotas de água escorriam por seus pés, um rio emocional percorria os bastidores da mente deles irrigavam os becos da inteligência. O Mestre dos mestres conquistava o inconquistável: penetrava nos solos inconscientes, reescrevendo as janelas da intolerância, da disputa predatória, da inveja, do ciúme, da vaidade.Foram dez ou vinte minutos que causaram mais efeitos do que décadas de bancos escolares ou anos de psicoterapia. A última ceia foi o maior laboratório de tratamento psíquico e enriquecimento da arte de pensar de que se tem noticias. Essa terra produziu mestres brilhantes, mas nunca ninguém foi tão longe como Jesus Cristo. Ele foi o Mestre dos mestre. Ele fez isso quando estava para ser torturado e morto. Quem é capaz de raciocinar no caos?
Após tomar esta atitude, Ele disse que no eu Reino as relações seriam completamente diferente das que existem na sociedade. O maior não é aquele que domina, tem maior poder político ou financeiro, mas aquele que serve.Para Ele, somente aquele que abdica da autoridade é digno dela. Qualquer líder espiritual, político, social que deseja que as pessoas gravitem em torno de si não é digno de ser um líder. Os que usam o poder e o dinheiro para controlar os outros estão despreparados para possuí-los. Somente os que servem são dignos de estar no comando.O Mestre da Vida foi Fiel às suas Palavras, viveu o que discursou. Deu mais importância aos outros do que a si, mesmo diante da morte. Foi digno da mais alta autoridade, porque abdicou dela. O maior vendedor de sonhos foi maior educador e o maior psicoterapeuta de todos os tempos.Nunca ninguém tão grande se fez tão pequeno para tornar grandes os pequenos. Se as religiões e a ciência descobrissem a grandeza da sua inteligência, as sociedades nunca mais seriam as mesmas (Cury, 2001).APOSTANDO TUDO O QUE NOS TINHA QUE O FRUSTRAVAMApós sair da ultima ceia, os discípulos decepcionaram seu Mestre ao máximo. Ele estava para ser preso e aguardava a escolta. Pela primeira vez pediu algo a eles. Solicitou que estivessem com Ele naquele momento angustiante. Mas os discípulos, estressados por vê-lo suando sangue e sofrendo, dormiram.
Judas chegou com a escolta. Traiu o Mestre com um beijo. Em vez de ser dominado pela frustração e ódio, Jesus gerenciou seus pensamentos, relaxou sua emoção e olhou com gentileza para seu traidor. O espantoso é que a analise psicológica revela que Jesus não tinha medo de ser traído por Judas; tinha medo de perder Judas, de perder um amigo.Ele disse: “Com um beijo me trais”.Queria dizer: “Você tem certeza de que é isso o que desejas? Pense antes de reagir”. Judas ficou perturbado, saiu de cena, não esperava essa resposta. O Mestre dos mestres não desistiu dele, queria reconquistá-lo, levá-lo a usar seu dramático erro para crescer. Queria que Judas não fosse controlado pela culpa e pela autopunição e nem desistisse de sua vida. Infelizmente Judas não ouviu a voz suave, sábia e afetiva de seu Mestre. Jamais uma pessoa traída amou tanto um traidor!Horas depois de preso, Pedro golpeou-o três vezes negando veemente que o conhecia. Pedro amava o Mestre profundamente, mas estava no cárcere da emoção. Não raciocinava. Jesus não exigiu nada dele. Ainda estava treinando. No momento em que ele o nega pela última vez, o Mestre vira-se para ele e diz: “Eu o compreendo”!Você já disse para alguém que errei muito com você “eu o compreendo”?Somos muitas vezes carrascos das pessoas que erram, até dos filhos e alunos, mas o maior vendedor de sonhos jamais desistiu dos jovens que escolheu. Os jovens também são implacáveis e agressivos com os erros dos seus pais. Falta compreensão na espécie humana e sobra punição. Pedro saiu de cena e pôr-se a chorar. Nesse momento ele deu um salto na sua vida. O seu erro foi transformado num pilar de crescimento, e não em objeto de punição, como nas provas escolares das sociedades modernas. Neste livro ainda irei discorrer sobre a crise da educação e a destruição de sonhos.
Apesar de inúmeros defeitos dos discípulos, duas qualidades os coroavam. Eles tinham disposição para explorar o novo e sede de aprender. Bastava isso para o Mestre, pois Ele acreditava que a pedra bruta seria lapidada ao longo da vida. Sabia que seu projeto levaria tempo para ser implantado, mesmo depois que fechasse os olhos.Não se importava com os acidentes de percurso. Confiava nas sementes que plantara. Acreditava que elas germinariam na terra da timidez, nos solos da insegurança, nas planícies rochosas da intolerância. Por fim, seus discípulos se tornaram uma equipe excelente de pensadores. Analise as cartas de Pedro que estão no Novo Testamento. Elas são um tratado de psicologia social. Errou muito, mas cresceu demais.Jesus Cristo investiu sua inteligência em pessoas complicadíssimas para mostrar que todo ser humano tem esperança. As pessoas mais difíceis com você convivem têm esperança. A história de Jesus é um exemplo magnífico. Demonstra que as pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje poderão vir a serem as que mais nos darão alegrias no futuro. O que fazer?Invista nelas! Não seja um manual de regras e críticas! Surpreenda! Cative-as!Ensine-as a pensar! Compreenda-as!Plante sementes!VENDENDO SONHOS ATÉ A ÚLTIMA GOTA DE SANGUENinguém espera uma reação inteligente de uma pessoa torturada, ainda mais pregada numa cruz. A memória é bloqueada, o raciocínio, abortado, o instinto, controlado, o medo e a raiva dominam. Jesus foi surpreendente quando estava livre, mas foi incomparavelmente mais surpreendente quando foi crucificado.Na primeira hora da crucificação, Ele abriu as janelas da inteligência e bradou: “Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem”. Perdoou homens indesculpáveis. Compreendeu atitudes incompreensíveis. Incluiu pessoas dignas de completa rejeição.Um dos ladrões ao seu lado ouviu essa frase e ficou assombrado. A dor lhe cortara o raciocínio, seus olhos estavam turvos, seus pulmões ofegantes. Mas, ao ouvir o brado de Jesus, recebeu um golpe de lucidez.Seus olhos se abriram. Virou o rosto e viu por trás do corpo magro e mutilado de Jesus uma pessoa encantadora. Pouco tempo depois, ainda que sem força, o criminoso pediu-lhe: “Quando estiveres no teu Reino, lembra-te de mim”. Os gestos de Jesus o fizeram sonhar com um Reino acima dos limites do tempo, um Reino complacente e que transcendia a morte. Que homem é esse que mesmo dilacerado era capaz de inspirar um miserável a sonhar?
Os que estavam aos pés da cruz ficaram fascinados. Reações fascinantes como essas ocorreram durante as seis longas horas da crucificação. Foi a primeira vez na história que alguém sangrando, esmagado pela dor física e emocional, surpreendeu os que estavam livres. Quando Jesus deu o último suspiro, o chefe da guarda romana, encarregado de cumprir a sentença condenatória de Pilatos, disse: “ Verdadeiramente este era o Filho de Deus”. Enxergou além dos parênteses do tempo. Viu a sabedoria ser transmitida por um mutilado na cruz. Muitos políticos e intelectuais não conseguem influenciar as pessoas. Mas o Mestre dos mestres abalou os alicerces da ciências ao levar as pessoas a velejarem pelo mundo dos sonhos enquanto todas as suas células morriam.Agostinho, Francisco de Assis, Tomás de Aquino, Spinoza, Hegel, Abraham Lincoln, Martin Luther King, e milhares de pessoas de diferentes religiões, inclusive não cristãs, foram influenciadas por Ele.Ouviram a voz inaudível dos seus sonhos.Se Freud, Karl Mark, Jean- Paul Sartre tivesse a oportunidade de analisar profundamente a personalidade de Jesus como eu o fiz, provavelmente não estariam entre os maiores ateus que pisaram nesta terra, mas entre os que mais se deixariam cativar por seus magníficos sonhos.Maomé chamou Jesus de Sal Dignidade no alcorão, exaltando-o mais do que a si mesmo. O budismo, embora seja anterior a Cristo, incorporou seus principais ensinamentos. Sri Ramkrishna, um dos maiores lideres espirituais da Índia, confessou que a partir de 1874 foi profundamente influenciados pelos ensinamentos de Jesus Cristo. O território consciente e inconsciente de Gandhi também foi trabalhado por seus pensamentos.O Mestre dos mestres nunca pressionou ninguém para segui-lo, apenas convidava. Não andou mais que trezentos quilômetros a partir do lugar em que nascera. Não tinha uma escolta, não possuía uma equipe de marketing, nunca derramou uma gota de sangue. Sua pequena comitiva se constituía de um grupo de apenas 12 jovens de personalidade difícil.
Mas hoje, para nossa surpresa, bilhões de pessoas de todas as religiões, de todas as culturas, de todos os níveis intelectuais o seguem.Seguem alguém que não conheceram. Seguem alguém que nunca viram. Segue alguém que lhes espirou emoção e encheu suas vidas de sonhos.
Todo o texto (sem rasuras) foi escrito do livro: NUNCA DESISTA DE SEUS SONHOS.De autoria do Doutor e médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor: AUGUSTO CURY. No qual, a leitura do livro, mês fez enxergar os sonhos que eu enterrei, mas com a ajuda do Mestre dos mestres, será todos concretizados em Nome do meu Salvador Jesus Cristo, para a Honra e Glória D”Ele mesmo. E será para vocês que irão ler estes escritos, uma ajuda para vocês não desistirem de seus sonhos, persistam, corra atrás.
Forte abraço.

Augusto Cury






UM SONHADOR QUE DESEJOU MUDAR OS FUNDAMENTOS DA CIENCIA E CONTRIBUIR COM A HUMANIDADE A.c. teve uma infância difícil, mas divertida. Seus pais trabalhavam na lavoura quando adolescentes. Tiveram enormes dificuldades financeiras. De seu casamento nasceram seis filhos. N os primeiros anos todos dormiam no mesmo quarto, numa pequeníssima casa. Espaço apertado, coração grande, a casa de A. C. era uma bela confusão. Mas havia alegria na miséria, criatividade na escassez. As crianças faziam uma festa com quase nada. O prazer de viver sempre penetrou nas alamedas dos que exigem pouco para serem felizes. Os que exigem muito possuem um apetite psíquico insaciável. Sua mãe era uma fonte de sensibilidade. Motiva, dócil, amável, mas portadora de fobia social. Nunca saía de casa sozinha. Era incapaz de levantar a voz para alguém. Para conter a guerra que seus filhos realizavam, ela fazia as malas e ameaçava ir embora. Porém, tomava o caminho do quintal. Comovidas, as crianças pediam para ela voltar e se aquietavam naquele dia. Aos cinco anos morreu o canário de A. C. Um parente próximo, querendo lhe ensinar o caminho da responsabilidade, disse que o canário tinha morrido de fome porque ele não o alimentara. Essa frase aparentemente ingênua foi registrada de maneira . 92. " superdimensionada nas camadas íntimas do inconsciente do janela menino, gerando uma A com alto volume de tensão. conseqüência? Um grande sentimento de culpa. O fenômeno do Auto fluxo, responsável por produzir milhares de pensamentos diários para nos distrair, gerar sonhos e prazeres, ancorava-se nessa janela doentia e a lia freqüentemente.A.C. chorava escondido pensando na dor da fome do seu canário. Pequenos gestos marcam uma vida. Palavras dóceis também podem ser cortantes. Não há pais que não errem tentando acertar. Quantos professores angustiam seus pequenos alunos com atitudes impensadas. Mas quem não fere quem ama? Somos culpados sem ter culpa.
A melhor atitude quando erramos é reconhecer o erro e pedir desculpas. Assim, ensinamos os pequenos também a errar e a se superar. Para as crianças, pior do que crescer com conflitos é crescer na ausência completa deles, é crescer sem dificuldades, superprotegidos. Dessa forma, não adquirem defesas para sobreviver na sociedade estressante. Nunca a juventude de classe média e alta foi tão poupada, e nunca se tornou tão insatisfeita e ansiosa. Por diversos motivos, A. C. cresceu hipersensível. Pequenos problemas causavam um impacto grande no território da sua emoção. Mas as dificuldades da vida, os atritos com os irmãos, as brincadeiras nas ruas, estimularam sua personalidade. Tornou-se dinâmico, arrojado, impulsivo, criativo. Sonhando com as estrelas O jovem detestava a rotina dos estudos.Vivia distraído, desconcentrado, desconectado da realidade. As dificuldades iniciais dos seus pais contrastavam com a grandeza dos seus sonhos. .93. II ~ Seu pai tinha um problema cardíaco e desde cedo estimulou o filho a ser médico. Embarcando neste sonho, A. C. ambicio- , nou ser não apenas médico, mas também cientista. Desejava descobrir coisas que ninguém pesquisara, desvendar enigmas ocultos aos olhos. Era um sonho muito grande para quem considerava a escola o último lugar em que gostaria de estar. Sonhar sempre foi um fenômeno psíquico democrático. Os miseráveis podem sonhar mais do que os abastados, os psicóticos podem velejar mais do que os psiquiatras. Para sonhar basta ser um viajante no mundo das idéias e percorrer as avenidas do seu ser. Quem não faz essa viagem, ainda que percorra os continentes, ficará paralisado na arte de pensar. O mundo dos sonhos sempre pertenceu aos viajantes. Você é um deles? A.C. era famoso por comportamentos que fugiam ao trivial. Era sociável e afetivo, mas marcadamente irresponsável. Gostava de festas e poucos compromissos. Sabe quantos cadernos ele teve durante os dois primeiros anos do ensino médio? Nenhum! Muitos dos seus colegas eram estudantes exemplares. Ele era um desastre.


Raramente copiava a matéria dada em aula, a não ser quando, num caso extremo, pedia uma folha emprestada. Não levava livros nem cadernos para a escola. Levava apenas a si mesmo e, ainda assim, estava lá apenas fisicamente. Seus professores eram ilustres, mas ele era um estranho no ninho.
Não se adaptava ao sistema escolar. Usava roupas bizarras, seus cabelos viviam revoltos. Tinha obsessões. Uma delas é que não gostava da própria testa, achava-a comprida demais. Vivia tentando encobri-Ia com mechas dos cabelos. Distraído com suas idéias e com suas manias, andando pela rua certa vez trombou com um poste. Ficou tonto, quase desmaiou. Apesar de suas trapalhadas, era um jovem divertido. Tão divertido que, junto com um amigo, fazia serenatas de madrugada com seu violão. Só que nem ele nem o amigo sabiam tocá-Io. Resultado, o som era tão ruim que as moças nunca acendiam a luz do quarto para mostrar que os ouviam. Quando dizia que queria ser médico, muitos davam risadas. Nem seus amigos mais íntimos acreditavam nele. Dizer que queria ser um cientista era uma heresia para quem não prestava atenção nas aulas. Não apostavam nele nem por compaixão. A.c. dava motivos para isso. Seus pais continuavam sendo seus grandes incentivadores. Pai e mãe podem ser maravilhosos quando enxergam nos filhos o que ninguém consegue ver, quando apostam que eles têm ouro no coração apesar de só ser possível perceber o cascalho. Chegou um momento em que A.C. parou de brincar com a vida. Resolveu levá-Ia a sério. Não queria ficar à sombra do pai. Queria construir sua própria história. Deixou as festas, as orgias, o convívio com amigos e resolveu ir atrás dos seus sonhos. O velho ditado diz "pau que nasce torto morre torto". Aos olhos de muitos ele estava condenado a ser um fracassado. A.C., porém, não era um pedaço de pau, mas um ser humano que, como qualquer outro, possuía um grande potencial intelectual represado.
Exercitou sua capacidade de pensar e escolheu seus caminhos. Tinha grandes sonhos, o que lhe dava uma belíssima perna para caminhar. Agora precisava de outra perna, a disciplina. Teve que se disciplinar para transformar seus sonhos em realidade.
Resolveu estudar seriamente. Pagou um preço caro, deixando muitas coisas para trás. Sacrificou horas de lazer. Estudou mais de 12 horas por dia para entrar na faculdade de medicina. No começo tinha vertigem e sentia-se tonto, mas perseverava. Seus sonhos o animavam, refrigeravam seu cansaço. Os mais íntimos estavam céticos, outros ficavam perplexos com sua disposição. Ou ele prosseguia ou se entregava. Era mais fácil entrar numa faculdade menos exigente. Todavia, desistir do sonho era uma palavra que não estava no dicionário de A.C. Para alguns seu projeto era loucura, para ele era o ar que o oxigenava. Quando ninguém esperava nada dele, eclodiu na terra estéril. Entrou na faculdade de medicina. Ele parecia um jovem alienado, mas no fundo sempre fora um questionador de tudo o que via e ouvia. Na faculdade de medicina não foi diferente. Não engolia as informações, procurava digeri-Ias. Às vezes tinha indigestão intelectual e arrumava alguns problemas por sua ousadia em pensar. Raramente aceitava uma idéia sem questionar seu conteúdo, ainda que não tivesse muitos elementos para julgá-Ia. Sua memória não era privilegiada, mas tinha uma refinada capacidade de observação, um desejo ardente de fugir da mesmice e criar coisas originais. Era tão crítico que às vezes discordava de seus professores de psiquiatria e psicologia. Sua atitude era intrépida. O resultado? Escrevia a matéria em seus cadernos de forma diferente da que era ensinada. Como pode um mero estudante discordar de cultos professores? Não dava para saber se era um teimoso, uma pessoa fora da realidade ou um amante da sabedoria. Talvez fosse uma mistura de tudo isso.

Pouco a pouco ele desenhou na sua personalidade três características que estão escasseando atualmente: a arte da crítica, coragem para pensar e ousadia para ser diferente. O medo de pensar diferente tem engessado mentes brilhantes. Muitos profissionais, empresários, executivos, estudantes têm asfixiado suas idéias debaixo do manto da timidez e da insegurança. A inteligência sempre precisou do oxigênio da audácia para respirar. Um acidente emocional A.C. superava o estresse das provas e as dificuldades da vida com facilidade. Nada parecia abalá-Io exteriormente. Todavia, não conhecia as armadilhas da emoção, até que nas férias do segundo para o terceiro ano experimentou o último estágio da dor humana. Teve uma crise depressiva. Depressão era a última coisa que as pessoas achavam que ele poderia ter. Era sociável, estruturado, seguro, destemido e apaixonado pela vida. Mas seus conflitos internos, os pensamentos perturbadores e a influência genética (sua mãe tivera depressão) o levaram ao caos emocional. A carga genética não determina se uma pessoa terá ou não depressão. Apenas em alguns casos ela pode gerar uma sensibilidade emocional exagerada que faz com que pequenos pro blemas causem um impacto interior grande. Entretanto, a educação e a capacidade de superação do "eu" podem fazer com que pessoas hipersensíveis aprendam a se proteger. E, assim, evitar o risco de depressão. A.C. não tinha aprendido a proteger sua emoção. Nem sabia que isso era possível. Deprimiu-se. Chorou sem lágrimas. Mas ninguém percebeu sua crise, ele a escondeu dos colegas e dos íntimos. Como muitos, tinha medo de não ser compreendido, receio de ser excluído.
Preferiu silenciar a dor que gritava no território da emoção. Seu comportamento foi inadequado e gerou riscos desnecessários, pois a depressão é uma doença tratável. .97. Nosso jovem andava cabisbaixo e angustiado. Não entendia o que era uma depressão, suas causas e conseqüências, pois ainda não tivera aulas de psiquiatria sobre o assunto. Só sabia que sentia uma profunda tristeza e aperto no peito. Sua mente estava inquieta; seus pensamentos, acelerados e pessimistas. Não era amigo da noite nem companheiro do dia: tinha insônia e desmotivação. A alegria despediu-se dele como as gotas de água se dissipam no calor. Os amigos estavam próximos, mas inalcançáveis. Sentia-se ilhado na mais profunda solidão. Nada o animava. O jovem extrovertido e seguro fora derrotado pela pior derrota, aquela que se inicia de dentro para fora. Perdeu a guerra sem nunca enfrentar uma batalha. A guerra pelo prazer de viver. Todavia, quando a esperança estava cambaleante, algo novo surgiu.Voltou para dentro de si mesmo. Começou a questionar qual o sentido da sua vida e qual sua postura diante do próprio sofrimento. Percebeu que tinha se conformado com seu drama emocional, não lutava interiormente, era um escravo sem algemas. Percebeu ainda que tinha sufocado seus sonhos, o sonho de ser um cientista e de ajudar a humanidade. Então, resolveu deixar de ser vítima da sua miséria psíquica e tentar ser líder do teatro da sua psique. Começou a seguir a trajetória de Beethoven, de Martin Luther King, de Abraham Lincoln e de todos os que não se conformaram com seu cárcere psíquico. Decidiu ir à luta con tra o pior inimigo, aquele que não se vê. Empreendeu uma batalha dentro de si mesmo.
Procurou perscrutar seu caos e entender os fundamentos da sua crise. Criticava sua dor e questionava seus pensamentos negativos. Einstein queria explicar as forças do universo, a relação espaçotempo. A.C. queria, em seu desespero, explicar as forças que regiam o caos do campo da energia psíquica. .98. Penetrou nos pilares do seu dramático conflito. Foi audacioso. Nessa trajetória, entendeu que, quando as pessoas estão sofrendo e precisam mais de si mesmas, elas não se interiorizam, se abandonam. você se abandona em momentos difíceis? Percebeu que as sociedades modernas se tornaram um canteiro de pessoas que fogem de si mesmas. Estão sós no meio da multidão, nas escolas, nas empresas, nas famílias. A. C. aprendeu rápido uma grande lição da inteligência: "Quando o mundo nos abandona, a solidão é superável, mas quando nós mesmos nos abandonamos, a solidão é quase insuportável. " Nasce um grande observador A.C., embora imaturo, não se auto-abandonou. Começou a ter longos diálogos consigo mesmo. Embora inexperiente, sua intuição criativa e o desejo ardente de superar seu secreto caos o levaram a descobrir uma técnica psicoterapêutica que revolucionaria sua vida e de seus futuros pacientes: "a mesa-redonda do eu". "A mesa-redonda do eu" é o resultado do desejo consciente do ser humano de debater com todos os atores que financiam as doenças psíquicas, como a síndrome do pânico, a depressão, a ansiedade, sejam os atores do passado (contidos no inconsciente), sejam os do presente (pensamentos, sentimentos e causas externas). É uma técnica que fortalece a capacidade de liderança do "eu" e estimula a arte de pensar. Nessa técnica, o "eu", como agente consciente, decide ser ator principal do teatro da mente e não mais ator coadjuvante ou, o que é pior, um espectador passivo. Ele começa a libertar sua criatividade para criticar, confrontar, discordar e repensar as causas que financiam os conflitos, e para atuar contra os pensamentos negativos, as idéias mórbidas e as emoções perturbadoras geradas por esses conflitos..
Esta técnica é um mergulho interior. A. C. a usou para deixar de ser passivo. Ele reuniu, sem ter consciência inicial, as bases analíticas e cognitivas da psicoterapia que iria desenvolver. A primeira investiga as causas e a segunda atua no palco da mente. Essas duas bases estavam separadas na psicologia moderna. Nosso jovem debatia consigo as causas conscientes e inconscientes da sua depressão e, ao mesmo tempo, confrontava os pensamentos derrotistas. Passou a criticar sua submissão à depressão. Perguntava-se: "Por que estou deprimido? Onde tudo começou? Por que sou um servo das idéias que me angustiam? Discordo de ser escravo dos meus pensamentos? Não me conformo em ser passivo?" I Fazia um debate inteligente e seguro no teatro da sua mente. Gritava no silêncio. O resultado? Nasceu, assim, um refinado observador do funcionamento da mente que pouco a pouco se tornou autor da própria história. A depressão não foi suficientemente forte para aprisioná-Io. Saiu mais forte, humilde, compreensivo. Seus sonhos se expan diram e voltaram a florir como campo de girassóis nas planícies áridas da angústia. existir, como é espetacular ter emoções, ainda que dolorosas. Nessa caminhada interior, reconheceu convictamente que somos os maiores carrascos de nós mesmos. Sofremos por coisas tolas, nos angustiamos por eventos do futuro que talvez jamais ocorram, gravitamos em torno de problemas que nós mesmos achamos.
Descobrindo que o tempo da escravidão não terminou O transtorno emocional de A.C. o levou a enxergar a dor por outro ângulo. Entendeu o grande dilema exposto neste livro e que os sonhadores sempre enfrentaram: a dor nos constrói ou nos destrói. Ele preferiu usá-Ia para se construir. A depressão foi um instrumento maravilhoso para humanizá-Io e torná-Io pouco a pouco um cientista da psicologia. Encontrou uma fonte de júbilo ao mergulhar dentro de si e descobrir como é fantástico pensar, como é fascinante Os conflitos intangíveis deixaram de assombrar A.C. Perdeu o medo dos monstros escondidos nos bastidores da sua mente. Enfrentou-os. Foi um grande alívio. N essa escalada de investigação, compreendeu que um dos maiores erros da psiquiatria e da educação clássica é transformar o ser humano num espectador passivo dos seus transtornos psíquicos. Percebeu que treinar o "eu" para ser líder de si mesmo é fundamental para a saúde psíquica. Entendeu que a quase totalidade das pessoas tem um "eu" malformado que não gerencia seus pensamentos nem protege sua emoção adequadamente. Ficou impressionado com o paradoxo do sistema social. Aprendemos a dirigir carros, organizar a casa, conduzir uma empresa, mas não sabemos dirigir nem intervir em nossas idéias e emoções tensas. Somos tímidos onde deveríamos ser fortes. Somos prisioneiros onde deveríamos ser livres. Perguntava-se com freqüência: que ser humano é esse que governa o mundo exterior mas é frágil para governar o mundo psíquico? Por estudar dedicadamente a construção da inteligência, A.C. começou também a compreender algo que o incomodou: o tempo da escravidão não terminou.
.Abraham Lincoln, Luther King e muitos outros lutaram contra a escravidão e a discriminação, mas onde estão as pessoas livres? Ele começou a desconfiar que vivemos em sociedades democráticas, mas somos freqüentemente sujeitos ao cárcere da emoção, do mau humor, das opções com a existência, da tirania do estresse, da ditadura da estética, da paranóia do status social e da competição predatória. As pessoas vivem porque estão vivas, mas raramente questionam o que é a vida, porque são tão ansiosas que nem sabem pelo que vale a pena lutar. Ele se perguntava: "Onde estão as pessoas cuja mente é um palco de tranqüilidade? Onde estão as pessoas que contemplam o belo, que extraem prazer das pequenas coisas, que investem naquilo que o dinheiro não compra?" Procurava-as no tecido social, mas não as encontrava. Anos depois, quando A. C. tornou-se um psiquiatra, passou a: aplicar as técnicas e os conhecimentos que desenvolveu naquela época em seus pacientes. Seu primeiro paciente tinha uma grave e crônica síndrome do pânico associada a fobia social. l Pensando o pensamento. Dando risada das próprias tolices Após sair da crise depressiva, A.c. não cessou sua jornada interior. Continuou a pesquisar e procurar descobrir como se transformam as emoções e a analisar como se constrói o mundo das idéias. Era um grande atrevimento! Raramente os pensadores da psicologia entraram nessa seara do conhecimento. Freud,Jung, Skinner usaram o pensamento pronto para produzir a teoria sobre a personalidade. O jovem estudante de medicina desejava ir mais longe. Queria investigar o próprio processo de construção dos pensamentos. O resultado? Nunca ficou tão confuso. Todavia, paulatinamente, compreendeu que cada pensamento, mesmo os que consideramos banais, era uma construção mais complexa do que a construção de um supercomputador.
Ficava fascinado e perturbado quando analisava a forma como penetramos na memória com a rapidez de um relâmpago, em milésimos de segundos, e em meio a bilhões de opções resgatamos com extremo acerto os elementos que constroem as cadeias de pensamentos. I I F azia 12 anos que não saía de casa, não comparecia a festas, não visitava amigos. Era um prisioneiro dentro e fora de si. A. C. procurou compreender as causas psíquicas e sociais do seu conflito e pediu que ele fizesse a mesa-redonda em seu íntimo e desenvolvesse a arte da crítica e da dúvida contra sua masmorra psíquica. O paciente resgatou a liderança do "eu". Deixou de ser víti ma dos seus conflitos e passou a ser agente modificador da sua história. Em poucos meses reeditou o filme do inconsciente. Resolveu o pânico e a fobia social. Encontrou o tesouro da psique: a liberdade interior. Experiências como essas levaram A.C. a entender que todo ser humano tem um potencial intelectual represado debaixo dos destroços das suas dificuldades, perdas, doenças psíquicas e ativismo profissional. Felizes os que os libertam. Ele ficou convicto de que o homo sapiens, seja ele um intelectual ou um mendigo, um rei ou um súdito, possui a mesma complexidade de funcionamento da mente. Esta compreensão mudou a vida de A. C. , o fez admirar cada ser humano. A ciência o fez amar a espécie humana. Admirava-se:
"Que loucura é pensar! Somos uma usina de pensamentos extremamente sofisticada, mas estamos tão atarefados em procurar sobreviver que não percebemos este espetáculo." Pensar o pensamento se tornou para ele o que a pintura representava para Da Vinci, a poesia para Goethe, a matemática para Galileu. Embora ficasse mais confuso do que seguro nos primeiros anos, sua escalada científica levou-o a entender que cada ser humano é um mundo a ser explorado. Não existem diferenças no funcionamento da mente humana. Não existem brancos, negros ou amarelos no universo da inteligência. Qual a diferença entre judeus e árabes, americanos e franceses? Quais as diferenças entre psiquiatras e pacientes? Temos diferenças culturais na habilidade criativa, na capacidade de organizar as idéias, mas os fenômenos que constroem todas essas diferenças são exatamente os mesmos. Amamos nos dividir, separar, discriminar, mas temos o mesmo anfiteatro dos pensamentos. Esta compreensão mudou completamente a vida do jovem cientista. Nunca mais sena o mesmo. Entendeu que os mesmos "engenheiros" que constroem pensamentos na mente de um cientista também estão presentes numa criança com síndrome de Down.
A diferença está apenas na reserva do córtex cerebral, no armazém dos dados utilizados. A. C. começou a investigar esses fenômenos universais e produzir, assim, ciência básica para a psicologia, psiquiatria, sociologia, ciências da educação. Ciência básica são os alicerces da própria ciência. Sem ela, o conhecimento não se ex ande com maturidade. A ciência básica na química são os átomos e as partículas atômicas; na biologia são as células e as estruturas intracelulares. Na psicologia e nas demais ciências humanas, ciência básica são os fenômenos que lêem a memória, constroem os pensamentos, transformam a emoção e estruturam o "eu". A. C. pesquisava essa área. Uma área que representa a última fronteira da ciência, pois desvenda quem somos e o que somos. Em seu sonho ele não desejava que sua teoria competisse com outras teorias, mas que pudesse produzir tijolos para unir, criticar e abrir avenidas de pesquisas para elas. Este era seu intrépido projeto. Para ele, as ciências humanas estavam fechadas em tribos, teorias e disputas irracionais. Ele questionava o papel da ciência que trouxe tantos avanços tecnológicos, mas não avanços no território da emoção. Queria expandir a ciência e humanizá-Ia. A ciência deveria servir à humanidade e não a humanidade servir à ciência. Fascinado com suas idéias) mas distraído Muitos estudavam ligado, coração, pulmões na sua faculdade, mas ele estava interessado em investigar a psique, o pequeno e infinito mundo que nos tece como espécie inteligente. Quando seus professores terminavam de dar uma aula prática junto ao leito dos pacientes com câncer, cirrose, enfisema pulmonar, seus colegas saíam, mas ele ficava.
Queria conhecer a história, os medos, os recuos, os pensamentos e os sonhos dos seus pacientes. Amava entrar no mundo deles. Entendeu que cada ser humano, até as pessoas mais complicadas, tinha uma história fascinante. Era capaz de observar horas e horas uma criança ou conversar prolongadamente com os idosos.Você conhece os sonhos e os medos das pessoas mais próximas? Muitos pais, filhos, professores, colegas de trabalho nunca conversaram sobre esses assuntos uns com os outros. Pouco a pouco, A. C. libertou sua criatividade e sua consciência crítica. Apesar de ter bons professores de psiquiatria, expandiu suas críticas a muitas idéias que eles ensinavam. Não concordava quando enfatizavam a alteração das substâncias químicas cerebrais, como a serotonina, na formação das doenças psíquicas (Kaplan, 1997). Para ele, a mente humana era mais complexa do que as neurociências viam. A mente era mais do que um computador cerebral. Compreendia que na base da depressão e da ansiedade existiam diversos fenômenos psíquicos que atuavam sutilmente e não apenas as substâncias químicas. Como estudava a construção dos pensamentos, percebia que o "eu" facilmente poderia se tornar ator coadjuvante no teatro da mente, incapaz de administrar os pensamentos perturbadores, as idéias fixas, os conflitos existenciais. Um "eu" frágil e submisso abria as portas para as doenças psíquicas. Registrava todas as suas descobertas. Os tempos tinham mudado.
Na adolescência detestava escrever, agora escrevia com prazer. Em qualquer lugar onde se encontrava fazia anotações: no interior de um ônibus, nas ruas, nos corredores da faculdade. Seus bolsos viviam cheios de papéis. Libertar o mundo das idéias tornou-se uma aventura. No final da faculdade tinha diversos cadernos anotados. Por pensar tanto, era desconcentrado e distraído. Certo dia em que chovia muito, ao descer do ônibus, abriu seu guarda chuva. Chegando no hospital da faculdade, percorreu os compridos corredores. Cumprimentou as pessoas que olhavam para ele sorrindo. Ficou alegre por estar sendo o ervado. Depois de caminhar mais de cem metros, entrou no elevador e de repente percebeu que estava com o guarda chuva aberto. Olhou para as pessoas meio sem graça, mas não ficou constrangido. Aprendeu a dar risadas das suas tolices. Se não desse risadas, não sobreviveria, pois essas reações bizarras eram comuns. Ao rir de si mesmo, sua vida ganhou mais suavidade. Enfrentando com alegria o deserto no casamento Começou a namorar uma estudante de medicina. Quando o relacionamento criou raízes, ele assustou-a falando-lhe de seu projeto como cientista. Comentou que tinha um sonho que o . 106. controlava e que investiria sua vida nesse sonho. Casar-se com ele era correr risco. Apaixonada, ela aceitou o risco. Eles se casaram ainda estudantes, ele no início do sexto ano, ela, no quarto. Passaram enormes crises financeiras. No primeiro ano do casamento tinham um carro simples, mas faltava dinheiro para colocar combustível. Seu carro parou 15 vezes no meio da rua por falta de gasolina. Ninguém entendia por que um médico empurrava tanto seu carro na rua.
Os vizinhos pensavam que se tratava de um médico, mas na verdade era um duro estudante de medicina. Um sonhador sem dinheiro. Foram poéticos vexames. Na sua casa não entrava frango, peixe ou outros tipos de carne, não porque o casal fosse vegetariano, mas porque as dificuldades financeiras eram tantas que não tinha condição de comprá-Ios. Sua esposa ia com o equivalente a dez dólares ao supermercado e ainda tinha que trazer troco. Mas eram felizes na escassez. Aprenderam a extrair prazer das coisas simples. No último ano de medicina escreveu quatro horas por dia. Nessa época descobriu o fenômeno da psicoadaptação - a incapacidade da emoção humana de reagir frente à exposição repetida do mesmo estímulo. Esse fenômeno o levou a entender a perda da sensibilidade e capacidade de reação. Compreendeu por que os soldados nazistas, pertencentes à nação que mais ganhara prêmios Nobel até a década de trinta do século XX, não reagiram quando viram as crianças judias morrendo nos campos de concentração. Entendeu que o homo sapiens pode se psicoadaptar inconscientemente a todas as mazelas sociais, como as guerras, o terrorismo, a violência, a discriminação, e ter um conformismo doentio. O anormal pode se tornar normal. O "eu" pode ficar impotente, frágil, destrutivo e autodestrutivo. Entendeu que a freqüente exposição à dor do outro pode . gerar insensibilidade se não for trabalhada adequadamente. Em menor escala, médicos, advogados, policiais, soldados e qualquer pessoa que trabalha continuamente com sofrimentos e falhas humanas pode anestesiar seus sentimentos frente às angústias alheias.
Eles falam da dor das pessoas sem nada sentir. Tornaram-se técnicos frios. Tal frieza não é uma proteção, mas uma alienação inconsciente. o engessado sistema acadêmico Foram muitas outras descobertas. Todavia, sua produção de conhecimento ainda estava no amanhecer. Era um questionado r que aprendera a valorizar os dois principais pilares que formam os pensadores: o pilar da filosofia, a arte da vida, e o pilar da psicologia, a arte da crítica. Compreendeu Passo a passo que o princípio da sabedoria não é a resposta, mas a dúvida e a crítica (Durant, 1996). Entendeu que os que não aprendem a duvidar e criticar serão sempre servos. A aceitação passiva das respostas pode abortar o desenvolvimento da inteligência. Os psicopatas nunca duvidaram de si mesmos, nunca criticaram sua compreensão da vida. Começou a entender algo que o perturbava: o sistema acadêmico, por ser fonte de respostas prontas, estava destruindo sutilmente a formação de pensadores no mundo todo. O conhecimento dobrava a cada cinco ou dez anos, mas a formação de engenheiro de idéias estava morrendo. Apesar de ter em alta conta os professores, A. C. considerava que o sistema acadêmico estava doente, pois formatava universitários para consumir informações sem crítica, sem contestação. Os jovens estavam se tornando meros repetidores de informações, sem adquirir capacidade de enfrentar desafios e assumir riscos.

O templo do conhecimento havia perdido os fundamentos do livre pensar. Após terminar a faculdade, ele procurou uma grande universidade para continuar suas pesquisas. Procurou um cientista, um doutor em psicologia, para expor suas idéias. Estava animado com a possibilidade de ser incentivado. Falou rapidamente sobre sua intenção de pesquisar a construção das idéias, a formação da consciência e a natureza da energia psíquica. O resultado? Foi humilhado. O ilustre professor lhe disse: "Você está querendo ganhar o prêmio Nobel?" Fechou-lhe a porta. A. C. ficou abatido por um tempo. Sentiu que a dor da rejeição é uma das piores experiências humanas. Mas ainda acreditava nos seus sonhos. Posteriormente procurou uma outra universidade ainda maior. Desta vez foi mais preparado, pois, em vez de usar sua fala como argumento, levou uma apostila que continha centenas de páginas sobre suas idéias. Enfrentou uma banca examinadora composta de ilustres professores de psiquiatria e psicologia. Acreditava que, mesmo que rejeitassem suas idéias, poderiam pelo menos ler seus escritos e respeitar sua capacidade de pensar. Uma examinadora pegou seu material e perguntou-lhe rapidamente do que se tratava. Ele abriu a apostila e fez um breve comentário. Ela o interrompeu perguntando quem o tinha orientado. Ele disse que o assunto era inédito, não havia orientador. O resultado?
Foi mais humilhado ainda. A examinadora fechou a apostila sem folheá-Ia. Exalando autoritarismo e com o respaldo de toda a banca, devolveu-a dizendo que não havia espaço para ele naquela universidade. Pediu que retomasse à sua faculdade e pesquisasse II . 108 . . 109 . debaixo da orientação dos seus professores. Mal sabia ela que ele escrevia as matérias de maneira diferente de como lhe ensinavam. Os membros da banca não sabiam que as grandes teorias, como a psicanálise de Freud e a teoria da relatividade de Einstein, foram produzidas fora dos muros das universidades. Não entendiam que tudo o que é sistematizado fecha as possibilidades do pensamento, contrai o mundo das idéias. Novamente a dor da rejeição tocou a alma de A.c. Após essas experiências, fez várias tentativas para publicar seus estudos. Procurou muitas editoras. Esperou durante meses uma resposta. O resultado? O silêncio. Nenhuma editora sequer teve o trabalho de enviar-lhe uma resposta. Enterrando os sonhos no solo do Sucesso Depois dessa terceira derrota, o melhor que e' podia fazer era deixar de lado seus sonhos. Teria de abandonar a pesquisa e exercer apenas a psiquiatria clínica. Precisava sobreviver.
Através das técnicas que aplicava, muitos pacientes com transtornos psíquicos graves davam um salto na sua qualidade de vida. Em sua trajetória de pesquisa, ele desenvolveu funções nobres da inteligência que o faziam influenciar o ambiente e criar oportunidades. Era empreendedor, intrépido, questionador. Facilmente se destacava nos ambientes. O resultado foi uma ascensão social meteórica. Começou a dar palestras e entrevistas na midia sobre os conflitos psíquicos. Em menos de dois anos estava nos principais canais de TV do seu país e se tornara consultor científico de um dos principais jornais do seu continente. Tinha na mídia o espaço que muitos políticos ambicionavam e conseguiu status maior do que o das pessoas que o rejeitaram. Era um profissional reconhecido e admirado. Porém havia algo errado dentro dele. Estava infeliz. Por quê? Porque havia enterrado seus sonhos. Os holofotes da mídia e os aplausos não ecoavam dentro de si. Seus íntimos vibravam com seu sucesso. Mas a fama o colocava num ativismo intenso. Não tinha tempo para aquilo que amava. Percebeu que precisava fazer uma difícil escolha. Teria de optar pelo status social ou pelo mundo das idéias. Teria de decidir entre a fama e o sonho de produzir ciência para ajudar a humanidade. Alguns poderiam conciliar essas duas coisas. A. C. não conseguia. No auge do assédio social, resolveu abandonar tudo e procurar o anonimato. Ninguém o apoiou, somente sua esposa. Nada tão belo como nos reconciliarmos com nossos sonhos. Nada tão triste como desistirmos deles. Muitos achavam loucura sua atitude, mas seu rosto voltou a brilhar. Encontrou a alegria oculta represada no secreto do seu ser.

Queridos leitores, não sei se vocês perceberam, mas a história de A.C. é a história de AUGUSTO CURY; a minha própria história. Decidi compartilhá-Ia com vocês para dar um exemplo mais próximo de alguém que chorou, atravessou crises, abandonou seus sonhos, resgatou-os e investiu neles. Os sonhos precisam de persistência e coragem para serem realizados. Nós os regamos com nossos erros, fragilidades e dificuldades. Quando lutamos por eles, nem sempre as pessoas que nos rodeiam nos apóiam e nos compreendem. Às vezes somos obrigados a tomar atitudes solitárias, tendo como companheiros apenas nossos próprios sonhos. Mas os sonhos, por serem verdadeiros projetos de vida, resgatam nosso prazer de viver e nosso sentido de vida, que representam a felicidade essencial que todos procuramos. Quando tomei a atitude de lutar pelos meus sonhos, eu não imaginava os acidentes do caminho que ainda enfrentaria. Não tinha idéia de que em alguns momentos meu mundo desabaria e não teria solo para pisar. Só sabia que havia riscos nessa jornada e teria que corrê-Ios. Permita-me continuar. Um ambiente inusitado Queria encontrar um lugar único para escrever. Saí da capital de São Paulo e fui para o interior. Construí minha casa e minha clínica no centro de uma mata.
Também lá estabeleci meu consultório. Comecei tudo de novo. Mas eu me perguntava: quem iria procurar um psiquiatra no centro de a mata? Será que teria que enfrentar uma nova crise fi nceira? No entanto, pouco mais de um ano depois, minha genda estava cheia. Por morar no centro de uma flore ta aconteceram coisas incomuns. Por duas vezes entraram cobras na sala de atendimento, que ficava voltada para um belo mural de árvores nativas. Bem-humorado, ensinei meus pacientes a pensar. Acalmava-os dizendo que o problema não são as cobras das matas que só atacam se ameaçadas, mas as cobras das cidades (a violência social) e as cobras da nossa mente. São elas que envenenam a saúde psíquica. Ninguém pode fazer tanto mal ao ser humano quanto ele mesmo. . Meu objetivo principal como psiquiatra e psicoterapeuta era estimular meus pacientes a serem autores de suas histórias. Certa vez um engenheiro e professor universitário procurou me com um grave quadro obsessivo. Havia vinte anos que se atormentava com inúmeras imagens diárias de uma faca entrando no peito do filho ou com imagens do seu próprio corpo mutilado num acidente de carro. Passara por 11 psiquiatras, tinha tomado todo tipo de remédio sem obter melhoras. Fora diagnosticado de psicótico erroneamente, pois, apesar de ser escravo das imagens que pensava, tinha consciência de que eram irreais. Nos últimos quatro anos isolara-se dentro do seu quarto onde vegetava e chorava. Raramente alguém viveu num calabouço tão intenso. Ao tratá-Io, expliquei-lhe o que era a construção multifocal de pensamentos. Comentei que ou ele governava seus pensamentos ou seria dominado por eles.
Incentivei-o a criticar cada pensamento de conteúdo negativo e reescrever a sua história. O engenheiro de profissão passou a ser um engenheiro de idéias. Aprendeu a gerenciar os pensamentos e proteger sua emoção. Melhorou tanto após alguns meses que, por estranho que pareça, sua esposa caiu em depressão e precisou ser tratada. Não sabia quem é que dormia ao seu lado, pois havia casado com uma pessoa doente. Em outra vez, atendi um paciente de cor negra com baixíssima auto-estima, inseguro e bloqueado, tanto por seus problemas como pelo fato de não poder pagar a consulta. Percebendo seu bloqueio, fitei-o nos olhos e perguntei com firmeza: "Quem é mais importante, eu ou você?" O paciente ficou chocado com a pergunta. Respondeu sem hesitar: "Você!" Reagi: "Nunca diga isso. Não importam seus conflitos e sua condição financeira, você é tão importante quanto eu, tão capaz quanto eu, tão digno quanto eu." Durante o tratamento, ele deixou de ser marionete das suas mazelas psíquicas e começou a ser diretor do palco da sua mente. Encontrou orvalhos em suas manhãs. Por pesquisar o funcionamento da mente e utilizar as ferramentas psicológicas subutilizadas em cada ser humano, muitos pacientes crônicos e com doenças resistentes expandiam a arte de pensar e davam um salto de qualidade na sua saúde psíquica.
Os resultados me levaram a ter oportunidade de atender pacientes de outros países. Eu não apenas ajudava meus pacientes, mas também aprendia com eles. Para mim, todos têm algo a ensinar, mesmo um paciente psicótico, cujos parâmetros da realidade estão desorganizados. Eu aprendi a amar tanto meu trabalho que conseguia encontrar riquezas nos escombros dos obsessivos, dos ansiosos, dos depressivos e até das pessoas que pensavam em suicídio. Acredito que todo ser humano tem ferramentas para ser um pensador. O desafio consiste em levar cada um a encontrá-Ias. O problema é que a grande maioria das pessoas conhece, no máximo, a sala de vis' s do seu próprio ser.Você pode admitir que as pessoas não conheçam, mas jamais deve ser um estranho para si mesmo se passavam e minha teoria era tão complexa que não conseguia terminá-la. Certa vez, a filha de 11 anos que sabia que eu escrevia um livro desde antes de ela nascer fez-me uma pergunta fatal: "Pai, quando é que você vai terminar seu livro?" Esfreguei as mãos no rosto, olhei para ela e simplesmente não consegui dar-lhe resposta. Minha esposa se adiantou e, nas raras vezes em que perdeu a paciência comigo, disse: "Minha filha, seu pai nunca vai terminar esse livro. Pois, no dia em que terminá-lo, ele vai morrer..." Felizmente, passados mais de 17 anos, terminei os pressupostos básicos da minha teoria e não morri. Escrevi mais de três mil páginas. Falo com humildade, mas, creio, fiz importantes descobertas que provavelmente reciclarão alguns pilares da ciência durante o século XXI.
É provável que essas descobertas venham a mudar a maneira como vemos a nós mesmos, como entendemos a nossa espécie. Somos mais complexos do que a ciência vinha imaginando. d Uma síntese das descobertas Minha produção científica intensificou-se, obrigando-me a reduzir meus atendimentos. Passei a escrever mais de vinte horas por semana, depois trinta. Certa vez sentei-me às nove da manhã e levantei-me da cadeira à uma da madrugada sem nenhuma interrupção. Estava absorto pelos meus sonhos. Os anos se passaram. Tive três filhas. Sou apaixonado por elas. Gastei tempo penetrando em seu mundo e deixando-as conhecer minhas aventuras, perdas, problemas, projetos. Queria ser fotografado nos solos da memória delas. Elas aprenderam a amar minhas histórias. Não queria ser grande externamente, mas grande no coração emocional de minhas filhas. Minha esposa sempre foi maravilhosa. Ela tinha grande paciência comigo, pois, por escrever muito, raramente chegava a tempo nos compromissos sociais. O problema é que os anos O problema é que, apesar de amar meu país, sei que ele não valoriza seus cientistas, principalmente aqueles que desenvolvem teorias, que são fontes de pesquisas, fontes de teses. Por serem muitas as descobertas, citarei brevemente apenas algumas. Essas descobertas têm inúmeras implicações que poderão surpreender o leitor. Por favor, não se preocupe se não entender todos os assuntos que serão citados a seguir. Até porque demorei quase duas décadas para entendê-los e ainda continuo aprendendo. .